Análise de mercado · 2019—2024

O vinho em mudança.

Menos volume, mais pressão sobre o valor. Uma leitura do setor vitivinícola mundial e da posição competitiva de Portugal.

2024Último ano completo analisado
Dados publicados em 2025

O mundo bebe menos.

A retração do consumo deixou de ser conjuntural. Em 2024, produção e consumo globais tocaram mínimos de mais de seis décadas, enquanto o comércio preservou valor através de preços elevados.[1]

225,8
M hl produzidos
−4,8% vs. 2023
214,2
M hl consumidos
−3,3% vs. 2023
€35,9
mil milhões exportados
−0,3% vs. 2023
€3,60
Preço médio / litro
máximo histórico mantido

Produção mundial

Milhões de hectolitros · 2019–2024

201920202021202220232024225,8

Consumo mundial

Milhões de hectolitros · 2019–2024

201920202021202220232024214,2

Fonte dos quatro indicadores e das séries: OIV.[1] M hl = milhões de hectolitros. Valores de 2023 provisórios e de 2024 preliminares à data do relatório.

Portugal contrariou a fraqueza global nas exportações — mas vendeu cada litro a um preço médio inferior.

01

Produção normalizada

A vindima 2024/25 gerou 6,9 M hl: menos 8% do que a campanha anterior, mas praticamente em linha com a média de cinco anos.[1][2]

02

Consumo resiliente

O consumo nacional atingiu 5,6 M hl em 2024, +0,5% num ano em que o consumo mundial caiu 3,3%.[1]

03

Exportação com tração

Portugal exportou 3,5 M hl (+8,7%) e cerca de €965 milhões (+4,5%). O crescimento do volume acima do valor revela pressão sobre preço/mix.[1]

Produção portuguesa

Milhões de hectolitros · 2019–2024

2019202020212022202320246,9

Portugal em contexto

Variação 2024 vs. 2023

Export. volume
+8,7%
Export. valor
+4,5%
Consumo PT
+0,5%
Produção PT
−8,2%
Consumo mundo
−3,3%
CrescimentoQueda

Comércio: valor sob tensão.

O mercado internacional estabilizou em volume, mas permanece cerca de 5% abaixo da média quinquenal. O preço médio global continua quase 30% acima do período pré-pandemia.[1]

Mundo

99,8 M hl

Volume exportado em 2024. Itália, Espanha e França concentraram 54,7% do volume e 63,4% do valor mundial.[1]

Portugal

€965 M

Valor exportado em 2024. No primeiro semestre, França, EUA e Brasil lideraram os destinos em valor.[1][3]

Leitura para 2025+

Quatro anos de choques — pandemia, inflação, custos logísticos e clima — aceleraram mudanças estruturais. Estas são as implicações mais prováveis, não previsões fechadas.

01 · Procura

Menos litros, mais ocasiões escolhidas

A contração do consumo favorece portefólios mais claros, formatos adequados a consumo moderado e comunicação orientada para ocasião.

Tendência estrutural
02 · Valor

Premiumização não basta

Preços elevados seguram receita global, mas o caso português mostra que crescer volume pode diluir preço médio. Marca e mix tornam-se decisivos.

Risco de margem
03 · Clima

Volatilidade na oferta

Duas colheitas mundiais historicamente baixas reforçam a urgência de gestão de água, castas adaptadas, seguros e diversificação regional.

Risco operacional
04 · Portugal

Diferenciação pela origem

Castas autóctones, diversidade regional e denominações de origem dão a Portugal uma narrativa difícil de replicar — especialmente fora da guerra de preço.

Oportunidade
05 · Mercados

Equilibrar maturidade e crescimento

França e EUA continuam relevantes; Brasil acrescenta dinamismo. A concentração exige disciplina comercial e prospeção de novas geografias.

Prioridade comercial
06 · Inovação

Conveniência e moderação

Espumantes, embalagens alternativas e propostas de menor teor alcoólico podem captar ocasiões sem abandonar a autenticidade da origem.

Espaço de inovação

Fontes & metodologia

  1. OIV — State of the World Vine and Wine Sector in 2024. Publicado em abril de 2025.
  2. Instituto da Vinha e do Vinho — Dados do Vinho. Portal estatístico oficial.
  3. ViniPortugal — Exportações portuguesas no 1.º semestre de 2024. 13 de agosto de 2024.

Âmbito: vinho, excluindo sumos e mostos quando assim definido pela OIV. Período gráfico: 2019–2024. Os valores mundiais e nacionais de 2024 são preliminares; 2023 pode ser provisório. As conclusões estratégicas são interpretação editorial dos dados e não constituem aconselhamento financeiro.